A Niterói Que Somos é a primeira pesquisa municipal por amostra de domicílios desse porte já realizada no Brasil, uma iniciativa pioneira da Prefeitura de Niterói, criada para produzir dados atualizados sobre as condições de vida da população e apoiar o planejamento da cidade. A pesquisa realizou entrevistas em 13.974 domicílios, em todas as cinco regiões do município.
Minha atuação no projeto esteve concentrada na concepção e execução da estratégia de comunicação e mobilização da pesquisa, com o desafio central de construir reconhecimento, confiança e entendimento em torno de uma iniciativa que acontece dentro dos domicílios e depende diretamente da adesão das pessoas.
Uma pesquisa domiciliar possui uma particularidade que muda completamente a lógica da comunicação: o público não está apenas sendo convidado a participar de uma campanha ou responder a um formulário. A pesquisa precisa chegar à porta das pessoas — e elas precisam confiar em quem está do outro lado.
A partir dessa premissa, a estratégia foi estruturada para responder a questões fundamentais: como a população saberia que a pesquisa era oficial? Como identificaria um entrevistador? Como entenderia sua importância? E como garantir que a iniciativa fosse reconhecida antes mesmo da abordagem presencial?
A resposta foi a construção de uma comunicação integrada, combinando redes sociais, materiais físicos, presença territorial, mobilização institucional, audiovisual e experiência digital, atuando de forma simultânea em diferentes pontos de contato com a população.
Para que a pesquisa fosse reconhecida antes da chegada dos entrevistadores, a estratégia priorizou a presença em espaços de circulação cotidiana da população.
Articulei com diferentes órgãos e equipamentos da Prefeitura a distribuição de materiais em hospitais, escolas, unidades básicas de saúde, policlínicas e outros espaços públicos, além da ampliação da campanha no transporte municipal, com a veiculação de peças nos ônibus da cidade.
Essa presença territorial foi pensada como uma camada de familiaridade: ao encontrar a pesquisa em diferentes contextos do dia a dia, a população passava a reconhecê-la antes mesmo do contato direto em domicílio, reduzindo barreiras de desconfiança e aumentando a compreensão sobre a iniciativa.
No ambiente digital, fui responsável pela produção de um vídeo institucional de lançamento da Niterói Que Somos, desenvolvido para apresentar a pesquisa de forma direta e acessível, com inclusão de intérprete de Libras, incorporando acessibilidade desde a concepção do material.
Para ampliar seu alcance, articulei uma ação coordenada entre diferentes órgãos da Prefeitura para divulgação simultânea nas redes sociais, estruturando um “Instagramaço”, no qual diversos perfis institucionais publicaram o conteúdo ao mesmo tempo, ampliando significativamente sua circulação.
Além disso, o vídeo foi incorporado à programação de eventos e agendas públicas da Prefeitura, transformando esses espaços em novos pontos de contato entre a pesquisa e a população.
Outro eixo central do projeto foi o redesenho da experiência digital da pesquisa.
Inicialmente, a Niterói Que Somos estava inserida dentro do ObservaNit, portal municipal de indicadores e dados públicos. Embora funcional, essa estrutura dificultava a identificação da pesquisa como uma iniciativa própria e tornava a navegação pouco intuitiva.
Propus e executei a reorganização completa da experiência digital, desenvolvendo um mockup no Figma e a prototipação da nova estrutura do site. Em seguida, fui responsável por implementar a nova interface diretamente na plataforma WordPress com Elementor, garantindo a fidelidade entre o design e o produto final.
Também conduzi toda a adaptação responsiva para desktop, tablet e celular, assegurando consistência e acessibilidade em diferentes dispositivos.
A nova estrutura transformou uma página linear em uma navegação mais clara, com home própria e acessos diretos por tema, permitindo que o público encontrasse informações específicas com mais facilidade.
Essa reorganização também trouxe uma dimensão estratégica: ao segmentar os conteúdos, tornou-se possível identificar quais temas geravam mais interesse, orientando a produção de novos conteúdos e fortalecendo a relação entre site e comunicação digital.
Assim, o site deixou de ser apenas um repositório de informações e passou a funcionar como uma ferramenta de navegação, compreensão e leitura de interesse público.
Durante a execução da campanha, surgiu um desafio adicional de comunicação institucional.
Além da necessidade de diferenciar a Niterói Que Somos das pesquisas realizadas pelo IBGE, que são mais conhecidas pelo público e frequentemente associadas a levantamentos domiciliares, a Prefeitura também conduzia simultaneamente a atualização do Plano Estratégico Niterói Que Queremos 2050, que também era coordenado pela SEPLAG. As duas iniciativas aconteciam ao mesmo tempo, possuíam nomes semelhantes e começaram a gerar confusão tanto para a população quanto para alguns órgãos responsáveis pela divulgação.
Diante disso, foi necessário estruturar uma comunicação clara de diferenciação entre os projetos, incluindo também o esclarecimento em relação às referências externas mais conhecidas pelo público.
A Niterói Que Somos é uma pesquisa presencial, realizada em domicílios, que coleta dados sobre as condições de vida da população. Já o Niterói Que Queremos 2050 é um instrumento de planejamento de longo prazo, que constrói a visão de futuro da cidade e orienta decisões estratégicas.
Além da distinção conceitual, a comunicação também evidenciou as diferentes formas de participação: enquanto a Niterói Que Somos depende da visita dos entrevistadores aos domicílios, o Niterói Que Queremos 2050 contou com participação digital por meio de consulta pública na plataforma Colab.
Mais do que separar as iniciativas, o trabalho buscou reforçar sua complementaridade, destacando que a produção de dados sobre a realidade atual e o planejamento de longo prazo são dimensões que se fortalecem mutuamente na construção de políticas públicas mais qualificadas.
A estratégia da Niterói Que Somos foi estruturada como um ecossistema integrado de comunicação, no qual diferentes frentes atuaram de forma articulada para garantir reconhecimento, confiança e compreensão da pesquisa.
A campanha digital contribuiu para a construção progressiva de entendimento sobre a iniciativa. O audiovisual sintetizou a mensagem e ampliou seu alcance. A mobilização institucional garantiu capilaridade dentro da estrutura da Prefeitura. A presença territorial consolidou a familiaridade da pesquisa no cotidiano da cidade. E o produto digital reorganizou a forma como a informação era acessada e compreendida pelo público.
Em conjunto, essas frentes permitiram que a pesquisa não fosse percebida apenas como uma ação pontual, mas como uma iniciativa presente na cidade em múltiplos níveis de contato.
O resultado foi uma estratégia de comunicação pública orientada não apenas à divulgação, mas à construção de legitimidade, confiança e participação em uma pesquisa que depende diretamente da relação entre poder público e população.
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